sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Refugiados. O caos na Alemanha.

O texto abaixo é atribuído a uma médica checa que trabalha num hospital de Munique.
Tudo verdade?  
Penso que mentira não será, pois que o contado é similar a outras notícias que conseguem passar.
Mas quem se espanta que isto está (ou pode vir) a acontecer.
Procurei notícias sobre como teria se desenvolvido, este ano, a tradicional Oktoberfest, em Munique. Estava marcada para acontecer entre 19 e Setembro e 4 de Outubro de 2016. 
Ao mesmo tempo, estavam chegando, diariamente, 10 mil refugiados, à estação ferroviária central da cidade. 
Nada vi nos noticiários. 
Nem o Google esclarece alguma coisa.
Em compensação, encontrei o texto de uma carta que uma médica tcheca escreveu a um amigo. 
Ela é anestesiologista e trabalha num hospital de Munique. 
Vejam o que está acontecendo no atual ambiente multicultural da Alemanha, segundo o que ela relata.

“Ontem tivemos uma reunião sobre como a situação aqui e em outros hospitais de Munique ficou insustentável. As clínicas não conseguem lidar com emergências e assim começam a enviar tudo para os hospitais.
Muitos muçulmanos estão recusando ser tratados por funcionários do sexo feminino e, nós, as mulheres, estamos nos recusando a trabalhar entre animais, especialmente africanos. 
As relações entre a equipe e os migrantes está indo de mal a pior. 
Desde o último fim de semana, migrantes que vão a hospitais têm que ser acompanhados por policiais.
Muitos migrantes têm SIDA, sífilis, tuberculose aberta e muitas doenças exóticas que, aqui na Europa, nem sabemos como tratar. Se recebem uma receita, aprendem na farmácia que têm que pagar em dinheiro. Isto leva à explosão de insultos inacreditáveis, especialmente quando se trata de remédios para crianças. Eles abandonam as crianças com o pessoal da farmácia e dizem: Então, curem-nas vocês! Portanto, a polícia não tem que proteger apenas clínicas e hospitais, mas também grandes farmácias.

Só podemos perguntar: Onde estão todos aqueles que, nas estações ferroviárias e na frente das câmeras de TV, mostram os cartazes de boas-vindas?
Sim, por enquanto as fronteiras foram fechadas, mas um milhão deles já está aqui e, definitivamente, não seremos capazes de nos livrar deles.
Até agora, o número de desempregados, na Alemanha, era de 2,2 milhões. 
Agora vai ser 3,5 milhões. 
A maioria destas pessoas é completamente não-empregável. 
Um mínimo deles tem alguma educação.E mais: as suas mulheres não fazem coisa alguma. 
Estimo que uma em cada dez está grávida. Centenas de milhares trouxeram consigo lactentes e crianças menores de seis anos desnutridas e negligenciadas. Se isto continuar, e a Alemanha reabrir suas fronteiras, eu voltarei para casa, para a República Tcheca. Ninguém vai poder me segurar aqui, nem com o dobro do salário. Eu vim para a Alemanha e não para África ou Oriente Médio.
Mesmo o professor que dirige o nosso departamento falou da tristeza em ver a mulher da limpeza fazendo seu serviço, há anos por 800 Euros, e depois encontrar homens jovens estrangeiros, querendo tudo de graça e, quando não conseguem, agtredim verbal e fisicamente, quem lhes nega a doação.
Eu realmente não preciso disso! Mas estou com medo de, se voltar, encontrar o mesmo na República Tcheca. Se os alemães, com os seus recursos, não conseguem lidar com isto, lá seria o caos total. Ninguém que não tenha tido contacto com eles pode ter uma ideia que espécie de animais eles são, especialmente os da África, e como os muçulmanos agem com soberba religiosa sobre a nossa equipe.
Por ora, o nosso pessoal ainda não foi reduzido, em consequência das doenças trazidas para cá, mas, com centenas de pacientes todos os dias, isso é apenas uma questão de tempo.
Num hospital perto do Rheno, os migrantes atacaram a equipe a facadas, depois de trazerem um recém-nascido de 8 meses, que estava à beira da morte, arrastado através de meia Europa, durante três meses. A criança morreu, depois de de dois dias, apesar de ter recebido os melhores cuidados, numa das melhores clínicas pediátricas da Alemanha. O médico teve que passar por cirurgia e duas enfermeiras foram para a UTI. Ninguém foi punido. A imprensa local é proibida de noticiar. 
Nós ficamos sabendo por e-mail.

O que teria acontecido a um alemão, se ele tivesse esfaqueado um médico e duas enfermeiras? 
Ou se ele tivesse jogado sua própria urina, infectada por sífilis, no rosto da enfermeira e a ameaçado de contaminação? 
No mínimo, iria ser preso imediatamente e depois processado. 
Com esse povo,  até agora, nada aconteceu.
Então, pergunto: onde estão todos aqueles que saudaram sua vinda e os recepcionaram, nas estações ferroviárias? 
Sentados, sossegados em casa, curtindo as suas organizações não-lucrativas, aguardando ansiosamente os próximos combóios e o próximo lote de dinheiro em pagamento dos seus préstimos como recepcionistas???!!!
Se fosse por mim, eu arrebanharia todos esses recepcionistas e os traria primeiro aqui, para a ala de emergência do hospital, para agirem como recepcionistas, e depois para um alojamento de migrantes, para que possam cuidar deles lá mesmo, sem policiais armados, sem cães policiais, que hoje podem ser encontrados em todos os hospitais da Baviera, e sem ajuda médica.”
Eis o teor do desabafo desta profissional, que nos pode dar uma ideia do que está sendo preparado, como futuro, através da multiculturação, que está sendo impingida aos povos do velho continente, principalmente à Alemanha.
Toedter

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

RIP Sture...vitima da hipócrisia Sueca.



A "superpotência humanitária europeia'' a Suécia faz o seu melhor para agradar aos refugiados requerentes de asilo, fornecendo-lhes alimentos, roupas e abrigos, mas parece que os seus próprios cidadãos, suecos de origem, em necessidade, são de menor importância e esquecidos. 

Sture, um sem-abrigo de 60 anos foi encontrado morto na manhã de uma quarta feira passada, á porta do hospital de Nynashamn. Sture tinham procurado refúgio contra o frio no referidos hospital durante a noite. Mas não foi autorizado a entrar. Um segurança expulsou-o, e sem qualquer oferta de habitação do município, sem opções, foi forçado a passar a noite numa paragem de autocarros fora do hospital. De manhã, foi encontrado morto, congelado. 

Claro que em Nynäshamnsposten a noticia sobre a morte de Sture foi esquecida pelos media oficiais. Mas as redes sociais divulgaram esta tragédia humana. Sture era um homem descrito como um bom trabalhador ao longo de sua vida, tendo inclusive prestado seerviço nas forças armadas suecas e numa instituição hospitalar. Nos últimos anos, porém, passou a sair com as pessoas erradas e começou a beber, tendo-se rendido ao vicio do álcool. Sture, viveu num alojamento do município, mas foi despejado, para dar lugar aos imigrantes que agora chegam á Europa, especialmente á Suécia. 

Sendo uma pessoa cordata e prestável, não gostava de incomodar os outros, sendo ele mesmo um sem-teto . Foi-lhei prometido tratamento pra se livrar do vício, mas as recaídas criaram uma série de obstáculos no caminho, e o município, abandonou-o. Durante os últimos dias da sua vida, Sture manteve-se quente dentro do hospital, até que o segurança o expulsou do edifício, retirando-lhe os seus agasalhos, os seus pertences. 

Após ter sido expulso do hospital, Sture viveu num abrigo público, mas mesmo ai foi perseguido e expulso, afugentado por outros mendigos estrangeiros. Então, voltou ao hospital e sentou-se no banco da paragem do autocarro, aonde congelou até á morte durante a noite, quando a temperatura era de cerca de 12-14 graus abaixo zero. 
 RIP Sture.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Entrevista de um apátrida (Entrevista a Mário Soares, em 1974, quando Ministro dos Negócios Estrangeiros português.)


Do Jornal "Der Spiegel"

SP — Sr. Ministro, o Governo Provisório está em vias de conceder a independência às colónias da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Há portugueses que se interrogam se este Governo de Transição, que não foi eleito pelo povo, mas empossado por um golpe militar, tem legitimidade para tomar uma decisão tão histórica.
MS — Isso nos perguntámos logo a seguir à revolução de 25 de Abril. Ponderamos se a descolonização se deveria fazer apenas após eleições regulares. Mas verificou-se que o problema era candente, que dificuldades e demoras surgiam no processo. E assim convencemo-nos que precisávamos de nos apressar.
SP — Há portugueses que julgam que o Sr. se tenha apressado demais — como em tempos os belgas ao se retirarem do Congo.
MS — Estamos há 3 meses no governo, e entretanto fizemos contactos e progressos, mas não creio que tenhamos sido demasiado apressados. Pelo contrário. A situação em Angola, que nos últimos tempos se tornou explosiva, prova que talvez não tivéssemos andado suficientemente depressa.
SP — Sobre as condições de independência o Sr. negoceia exclusivamente com os movimentos de libertação africanos. Na sua opinião eles são os únicos legítimos representantes das populações nas colónias?
MS — Bem, se quisermos fazer a paz — e nós queremos sem demora a paz — temos que falar com os que nos combatem. Isto não implica uma avaliação política ou ética dos movimentos de libertação, mas resulta da apreciação pragmática de determinada situação. E quem nos combate na Guiné? O PAIGC. Assim temos de falar com o PAIGC. Quem nos combate em Moçambique? A Frelimo. Assim temos de falar com a Frelimo.
SP — E com quem pode o Sr. negociar em Angola onde existem vários movimentos rivais?
MS – Em Angola há dois movimentos de libertação reconhecidos pela OUA – o
MPLA e a FNLA. Assim temos de negociar com ambos. Para avaliar qual dos dois é o mais representativo do povo é um problema que os Angolanos e as coligações que no futuro formarão governo terão de resolver mais tarde.
SP — Acredita que esses movimentos e em particular os ainda discutíveis têm suficiente autoridade de impor a solução que vai ser negociada.
MS — Esperamos que sim. Mas o processo de descolonização em Portugal, no formato, não deverá decorrer de modo muito deferente do da Inglaterra e França.
SP — Na Argélia havia um movimento de libertação muito forte, como no Kénia e sem dúvida também na Guiné-Bissau e Moçambique. Mas e em Angola?
MS — Sim, na verdade em Angola a situação é difícil devido às divisões dentro dos movimentos. E nós não podemos alterar aí quase nada. Estamos prontos a falar com cada uma das facções e, dentro das nossas possibilidades, procurar que se unam. Mas não temos muitas ilusões, as nossas possibilidades de intervir aqui são muito limitadas.


SP — Se o processo de descolonização português correr como o inglês ou o francês, na sua opinião qual será a tendência a seguir - como no Kénia que seguiu a via capitalista, ou como a Zâmbia que tenta uma espécie de socialismo africano?
MS — Eu julgo que é sempre perigosa a transposição de modelos estranhos. Mas, de momento, parece-me que a evolução em Moçambique será semelhante à da Zâmbia. Noutras regiões poderá haver outras soluções. Quando falei da semelhança do nosso processo de descolonização com o inglês ou o francês, pensei mais nas linhas gerais — que nós, como potência colonial, como os ingleses e os franceses, devíamos negociar com os movimentos fortes a operar nas colónias.
SP — E o que virá depois das negociações?
MS — Parece-nos importante que as populações sejam consultadas e que, depois do domínio português, não lhes seja imposto outro domínio que poderá não ter a maioria. Gostaríamos que a liberdade da população fosse garantida e assegurada. Mas temos nós, como antiga potência colonial, autoridade bastante para discutir isso? A nós parece-nos isso muito problemático. Por outro lado, o PAIGC e a Frelimo são movimentos de libertação que em anos de luta renhida pela independência ganharam indiscutível autoridade. Eles têm chefes muito qualificados e conscientes das responsabilidades. Com quem mais, a não ser com eles, deveremos negociar?
SP — Sente-se o novo governo português também responsável por aqueles milhares de africanos que, por motivos diversos, colaboraram com o anterior regime?
 MS — Certamente que nos sentimos responsáveis por essa parte da população e sobre o seu destino já se falou por diversas vezes nas conversações. No caso concreto da Guiné, onde o processo está mais avançado, tencionamos, por exemplo, repatriar para Portugal os ex-combatentes africanos que o queiram por não se conseguirem integrar na nova República independente.
SP — Quantas pessoas são essas?
MS — Sabemos de cerca de 3o antigos comandos que aos olhos do PAIGC representam um certo perigo. Para estas pessoas temos de encontrar uma solução qualquer — talvez integrá-los nas forças armadas portuguesas ou coisa semelhante.
SP — Acredita que do lado dos movimentos de libertação exista a boa vontade de não exercer represálias contra os colaboradores africanos do antigo regime?
MS — Sim, isso foi-me espontaneamente assegurado, mesmo antes de nós termos levantado o problema. Também nos deram certas garantias, os movimentos de libertação não são racistas. Eles estão conscientes dos imensos problemas que terão de enfrentar e não querem comprometer já a sua vida política com crueldades e actos de vingança.
SP — No entanto, a "Voz da Frelimo" emissora do movimento para Moçambique tem, nas passadas semanas, por diversas vezes apelado aos soldados pretos para desertarem das tropas portuguesas, sob pena de ajuste de contas após a independência.
MS — Uma guerra, infelizmente não é um jogo de cavalheiros nem um concurso hípico com regras éticas fixas. Tais excessos verbais e ameaças são lamentáveis, mas também muito naturais. Na verdade, não sei se essas ameaças foram feitas, mas considero-as possíveis. Mas até agora tivemos na Guiné e em Moçambique —em Angola ainda não — uma impressionante onda de confraternização e tudo tem corrido muito melhor do que seria de esperar depois de 13 anos de guerra.


SP — Muitos brancos nas colónias portuguesas sentem-se traídos por Lisboa. Com razão?
MS — Se acreditou nos slogans do antigo regime — que Angola é nossa e sê-lo-á para sempre, e que não são colónias mas simplesmente províncias ultramarinas —então terá razão em sentir-se traído. Mas, na realidade, a traição é do regime de Salazar e Caetano que quiseram fazer esta gente acreditar que seria possível oferecer resistência ao mundo inteiro e à justiça.
SP – Qual será o futuro destes brancos desiludidos, se, apesar de tudo, quiserem permanecer em África?
 MS — Se forem leais para com os novos Estados independentes na cooperação e respeitarem as suas leis, não têm nada a temer. Na Guiné, por exemplo, o próprio movimento de libertação exortou-nos a deixar os nossos técnicos, médicos, engenheiros e agrónomos, porque precisavam deles. É cómico: a extrema esquerda portuguesa exigia a nossa saída imediata, total e sem condições, mas os próprios movimentos de libertação não exigiram nada disso.
SP — O que será dos brancos que não querem ficar em África? Em Moçambique já se iniciou entre os brancos um grande movimento de fuga.
MS — É verdade. Mas estou certo que dois anos após a independência e quando as instituições do País funcionarem razoavelmente, haverá mais portugueses, em Moçambique, que hoje. Isto é, aliás, um fenómeno geral. O Presidente Kaunda da Zâmbia disse-me, quando estive em Lusaka: " Saiba que temos aqui na Zâmbia o dobro dos ingleses que tínhamos antes da independência".
SP — E o Sr. acredita que isso também acontecerá em Moçambique?
MS — Sim. Primeiro virão muitos para Portugal, porque têm medo, mas depois regressarão.
SP — E em Angola?
MS — Ali ainda não há muitos que abandonaram o País. Ali generaliza-se entre os brancos uma atitude perigosa. Precisamos de convencer os brancos, no seu próprio interesse, que fiquem, mas já não como patrões, como até agora.
SP — Apesar disso Portugal tem de contar com o regresso de muitos. Como irão resolver o caso?
MS — Isto é para nós um problema económico muito sério, pois não é apenas o regresso dos colonos brancos mas também os soldados — cerca de 150.000 a 200.000 homens que regressam duma assentada. Acrescem ainda os imigrantes que querem regressar desde que Portugal é livre. O assunto está a ser estudado pelo Ministério da Economia e Finanças. Temos de criar novos postos de trabalho, mas isso significa igualmente a reestruturação da totalidade da economia portuguesa, que vai precisar de se adaptar às sociedades industriais modernas.
SP — Não existem portanto planos concretos para absorver os retornados? 
MS — Há investigações adiantadas.
SP — Entre os brancos que não querem regressar a Portugal, tenta-se criar um exército de mercenários para se opor aos movimentos de libertação. Em Angola, nos últimos tempos, radicais brancos de direita provocaram confrontos raciais sangrentos. Pode Lisboa impedir que tais brancos, especialmente em Angola, tomem o poder?
MS — Eu penso que sim. 
SP — Como?


MS — O exército em Moçambique e em Angola é completamente leal para com os que fizeram a Revolução de 25 de Abril. E o exército não permitirá que mercenários brancos ou grupos semelhantes se levantem contra o exército. Tentativas haverá. Em Moçambique já as houve.
SP — E em Angola onde vivem mais do dobro dos brancos e um terço menos de pretos que em Moçambique?
MS — Em Angola haverá certamente uma série de situações mais ou menos desesperadas e tensões perigosas entre as raças. Apesar disso, julgo que por ora o exército pode e fará manter a ordem — a ordem democrática.
SP — Portanto, se necessário, o exército português fará fogo sobre portugueses brancos?
MS — Ele não hesitará e não pode hesitar. O exército já mostrou que tem mão forte e quer manter a ordem a todo o custo
SP — Apesar do exército, não se pode excluir a hipótese de os brancos se declararem independentes, como na Rodésia. Pelo menos Angola podia tentar mesmo economicamente uma tal solução.
MS — De princípio, nos primeiros momentos da Revolução tive muito receio que tal pudesse acontecer. Mas quanto mais o tempo passa, mais difícil se tornará uma tal tentativa.
SP — Suponhamos, no entanto, que tal venha a acontecer — reagiria Lisboa como Londres, na altura, tentando impor um bloqueio económico?
MS — Não creio que em Angola exista uma solução rodesiana, mas se tal acontecesse combatê-la-íamos com todas as nossas forças, pois uma tal solução seria para África e para o Mundo uma aventura inaceitável.
SP — Também se pensou isso no caso da Rodésia e, no entanto, não se pôde evitar.
MS — Para nós tal solução é improvável a não ser que tivéssemos um golpe de direita aqui em Portugal. Nós — este governo democrático — não permitirá que tal solução rodesiana aconteça em Angola ou Moçambique. Eu repito! Nós combatê-la-emos com todos os meios ao nosso dispor.
SP - Porquê?
MS — Porque isso poria em causa todo o nosso processo de descolonização, a nossa credibilidade, e a nossa boa vontade. E porque com uma tal solução até o regresso do fascismo poderia ser encaminhado em Portugal.
SP — Do ponto de vista económico a perda da Guiné e de Moçambique são um alívio para Portugal. Angola, no entanto, com os seus diamantes, petróleo, café trouxe para Portugal as tão necessárias divisas. Pode Portugal dar-se ao luxo de perder essa fonte de divisas?
MS — Todas estas receitas não compensavam os custos de guerra. Nós gastávamos cerca de 2 biliões de marcos por ano com a guerra. O que pouparmos com o fim da guerra compensa plenamente a perda dessas divisas, que de qualquer modo, acabavam na maior parte nos bolsos dos americanos, alemães e ingleses.
SP — Lisboa irá ajudar no futuro as suas antigas colónias? Concretamente: -Se Moçambique independente resolvesse impedir o trânsito de mercadorias da Rodésia para Lourenço Marques ou Beira para exercer pressão política sobre o regime branco de Salisbury, estaria Portugal disposto a compensar Moçambique pela perda de divisas que tal operação acarretaria?
MS — Os nossos meios são escassos, temos de ter em atenção a nossa muito tensa situação económica. Mas, dentro das nossas possibilidades, ajudaríamos, numa tal situação.
SP — No seu livro "Portugal e o Futuro", o general Spínola propunha uma espécie de comunidade portuguesa como forma de cooperação futura entre Lisboa e África. Os movimentos de libertação não deram qualquer importância à ideia. Como serão as futuras relações entre Lisboa e África?
MS — O discurso pragmático proferido pelo general Spínola em 27 de Julho sobre o futuro das colónias está muito distante da concepção do seu livro. Se, algum dia, uma espécie de comunidade dos países lusófonos se verificar, só na condição de todos os países serem realmente independentes. E seriam então os países africanos a dizer até que ponto tal associação poderia ir.
SP — Sr. Ministro, muito obrigado pela entrevista. in: "Der Spiegel" - N° 34/1974•


Não é passado muito tempo que Hans Magnus Enzensberger editor, autor, poeta e filósofo do "Der Spiegel", em conversa sobre este deslumbrado apátrida disse o seguinte:

"Trata-se de um homem com pouca cultura, desconhecimento total sobre política e o ódio contra os portugueses foi visível, tivesse o custo que tivesse pretendia a saída de todos os brancos das colónias portuguesas e tinha deliberadamente decidido matá-los caso não saíssem, ficou-nos a ideia de um homem ambicioso, pouco claro e disposto a tudo para atingir os seus objectivos, a história de Portugal para ele era qualquer coisa sem importância".
Em 2009, Hans Magnus Enzensberger recebeu o especial reconhecimento e confiança pela sua longa carreira e pelo seu excelente livro "The Griffin Poetry".

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A esquerda caviar...e o politicamente correcto


O mundo dito civilizado vive uma crise moral de grandes proporções. 
Há uma clara decadência de valores em curso, que ameaça a própria sobrevivência do mundo moderno como o conhecemos. Ideias têm consequências, e um conjunto equivocado delas tem minado o progresso e a liberdade individual. Por trás dessas ideias, encontramos uma parcela vaidosa, oportunista, acovardada e mimada da elite, que parece só pensar no curto prazo e em sua própria imagem. 
“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.” 
A mensagem bíblica merece a atenção de todos,especialmente no mundo actual, onde vale tudo pela “autoestima”. Nunca antes na história da humanidade vivemos uma era das aparências tão evidente. 

O "status" de se ser um tipo porreiro, o mr. nice, possui enorme valor emocional e comercial. 
E a internet, com suas redes sociais, é uma máquina de vender imagem, que acaba por potencializar esse sintoma — que não é novo.  Mais do que a ação em si, o que importa agora é o tal “marketing do comportamento”, o "feel good, sensation". Isso acabou resultando numa ditadura velada do politicamente correto, cujos adeptos buscam monopolizar as boas intenções e os sentimentos “nobres”, em detrimento do debate sobre os melhores meios para se catingir tais metas. 
Só quem concorda com os seus meios — leia-se: sempre mais estado — defende os pobres, os negros, as mulheres, os gays, o meio ambiente, a paz.
É a tirania das (supostas) boas intenções, aos cuidados dessas “almas sensíveis”. Nas redes sociais, essa gente é chamada de poser, já que tudo se resume ao objetivo de ficar bem na fotografia. Somente eles desejam um mundo melhor.

Essa tendência é sedutora, pois basta abraçar um conjunto de crenças para ser visto como — e para se sentir — uma boa pessoa. 
Não serão as acções, o comportamento efectivo e a conduta cotidiana que determinam que alguém seja mais decente mais louvável, mas apenas as frases soltas e o facto de pertencer a um determinado grupo. Alardear nobres intenções bem alto, eis o principal objetivo. Edmund Burke já havia alertado para isso em suas reflexões sobre a Revolução Francesa:
"Só porque meia dúzia de gafanhotos sob uma samambaia fazem o campo vibrar com o seu inoportuno zumbido, enquanto milhares de cabeças de gado repousando à sombra do carvalho inglês ruminam em silêncio, por favor, não vá imaginar que aqueles que fazem barulho são os únicos habitantes do campo. Não significam  mais do que um pequeno grupo de insetos efêmeros, secos, magros, saltitantes, espalhafatosos e inoportunos".

Ou, como resumiu ainda mais Mark Twain, 
“Barulho não prova nada: uma galinha põe um ovo e cacareja como se tivesse posto um asteroide”. 
Mas fazer barulho é com a esquerda caviar mesmo. O termo tem origem na França (gauche caviar), como não poderia deixar de ser. 
Mas há os análogos na Inglaterra (socialista champagne), nos Estados Unidos (liberal limusine) ou na Itália (radical chic). Os artistas e os intelectuais tornaram-se os grandes ícones desse movimento. 
Todas as causas vistas como nobres são abraçadas por essa gente, que parece infnitamente mais preocupada com os aplausos da plateia e com a própria sensação de superioridade moral do que com os resultados concretos daquilo que prega.
Salvar o planeta, proteger os índios, cuidar das crianças africanas, enfrentar os ricos capitalistas em nome da justiça social, pagar a dívida histórica com os negros, acabar com as guerras, enaltecer as diferenças culturais, estas são algumas das bandeiras dos abnegados artistas e auto proclamados
intelectuais. promovem-se como os grandes defensores dos fracos e oprimidos contra as “elites” — como se eles não fossem parte da elite.


Há um pequeno detalhe: normalmente, muitos deles são ricos graças ao capitalismo que atacam,
vivem no conforto do Ocidente que desprezam, gozam da liberdade de expressão inexistente em Cuba e noutros "paraísos" socialistas que tanto proclamam, e ainda desfrutam da paz e da segurança 
conquistadas pelo poder militar do Tio Sam que abominam. 
É divertidíssima a esquizofrenia destes "artistas" e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também as coisas que só o capitalismo sabe dar — bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês.,São os filhos de Marx numa relação adúltera com a Coca-Cola...

Em português mais claro: a velha e conhecida hipocrisia! 
A marca registrada dessa esquerda caviar, que adora o socialismo do conforto de Paris, que prega uma radical mudança no estilo de vida dos,outros para mitigar o aquecimento global, é a antiga máxima “faça o que eu digo, não o que eu faço”.
La Rochefoucauld disse tudo quando afirmou: 
“A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude.”

A esquerda é mestre na arte de pregar uma coisa publicamente e fazer o oposto na esfera privada. 
Talvez o melhor exemplo seja a postura em relação às escolas públicas, sempre defendidas com fervor ideológico, em detrimento da receita liberal dos  vouchers, postulada por Milton Friedman e que permitiria o acesso dos mais pobres às melhores escolas privadas.
Mas os típicos esquerdistas não querem saber dessas escolas públicas na prática. Al Gore, Bill Clinton e, sim, até Obama são exemplos de esquerdistas que não pensaram duas vezes: colocaram os seus filhos em caras instituições de ensino privadas de elite.

O mesmo vale na hora de cuidar da saúde. 
Hospital público? Nem pensar! Essa nata da esquerda não coloca seus pés delicados em um hospital público nem que a vaca tussa. 
Eles tratam-se nos melhores e mais caros hospitais privados, e logo depois pregam as maravilhas do Obamacare, da saúde universal, do SNS, que os pobres precisam enfrentar num calvário pela sobrevivência.
Mas o discurso desta gente, não muda: a esquerda monopoliza as boas intenções para com os pobres, ou seja a solução estatal... sempre para os outros!
Não há nada de errado em querer ganhar mais, em educar a família dentro de certas tradições ou em combater os bandidos, ainda que com a ameaça de uso de violência. 
A hipocrisia da esquerda, portanto, serve para fazer aquilo que é positivo para o indivíduo, e isso diz muito sobre sua teoria. Se de facto seguissem o que pregam, isso sim, seria terrível. 

Maso  seu intuito é todo voltado para o discurso, para a imagem, e não para as acções concretas.
Para preservar as aparências, apelam constantemente para o uso de “um peso, duas medidas”.
Basta se dizer de esquerda para ganhar uma espécie de salvo-conduto para cair em contradições e ficar isenta do mesmo critério com que outros são julgados. 
Pertencer à esquerda é suficiente para ficar blindado contra as críticas: como ousa questionar minhas lindas intenções?
Típico da esquerda caviar é ter a memória bastante selectiva, não recordar as bandeiras e os ídolos defendidos no passado que se mostraram terríveis com o 
tempo. A autocrítica é algo simplesmente raríssimo quando se trata desta gente. 
“Esqueçam o que eu disse” costuma ser o mantra da esquerda caviar, para poder pular de galho podre em galho podre como se nada tivesse acontecido.


Há quem pense que não vale a pena enfrentar esta gangue, porque disso se trata, que eles são inofensivos.
Discordo veementemente. A influência das ideias nos rumos da Humanidade não pode ser subestimada, e esses artistas e intelectuais famosos conferem credibilidade a regimes nefastos. 
Na era da internet, o efeito é ainda mais poderoso, por ser viral.
Hollywood foi amplamente utilizada pelos vermelhos, para fazer passas a sua mensagem. 
Não deveria ser assim, mas o que os artistas famosos falam sobre política acaba tendo influência nos mais leigos.

A vitória de Barack Obama nas duas eleições contou com um enorme aparato ligado às celebridades,uma verdadeira máquina de propaganda política. 
Inúmeros atores e cantores famosos foram mobilizados para “vender” o sonho utópico de que tudo seria completamente diferente com a chegada do “messias” à Casa Branca. 
Por isso mesmo, expor o abismo entre discurso e prática torna-se fundamental para reverter o estrago causado por eles.

NÃO DEVEMOS CONFUNDIR A ADMIRAÇÃO À OBRA DO ARTISTA COM A SUA PRÓPRIA PESSOA OU SUAS IDEIAS POLÍTICAS.

Podemos respeitar ou até idolatrar certo músico, sem que isso signifique que as suas ideias políticas devam ser também aceitas. 
Podemos condenar a conduta hipócrita de um famoso arquitecto, e ainda assim reconhecer sua importância no seu campo de trabalho. 
Podemos aplaudir de pé um excelente actor, e de seguida condenar os o seu discurso hipócrita.
Quem foi que disse que actores e músicos são especialistas em economia e clima? 
Constatemos o óbvio:um canalha será sempre um canalha, mesmo sendo um excelente músico, pintor ou actor. 
Devemos separar uma coisa da outra. 
O que deve ser destacado, o é a visão ideológica dos artistas e intelectuais da esquerda caviar, assim como as suas contradições entre discurso e prática.  
A matemática de Newton não prova nada em favor desua teologia. [...] 
Platão escreveu maravilhosamente bem, e esta é a razão pela qual muita gente acredita ainda na sua filosofia. 
Tolstoi foi um excelente romancista, mas não constitui isto razão para que deixemos de considerar detestáveis as suas ideias sobre a moral, ou para que sintamos outra coisa que não seja desdém pela sua estética, pela sua sociologia e pela sua religião.
Não basta que um sujeito seja um bom músico e que combateu uma quaquer ditadura para se tornar num grande pensador político. 
Não basta um arquitecto seja mundialmente famoso para que a sua ligação, os seu servilismo com regimes sanguinários e ditatoriais seja esquecido. 
Há que denunciar e combater a gritante hipocrisia desta "escumalha" oportunista que luta por um “mundo melhor”, entre dois flutes de  champanhe, vivendo
á custa do erário publico, em luxuosas casas, e em bairros da elite capitalista...
Não é fácil ser-se um revolucionário de tasca chique, e um porco capitalista sedento por mais lucros e boa vida. 
Mas esta gente da esquerda caviar aceita o sacrifício...

(Introdução do livro de Rodrigo Constantino, "A Esquerda Caviar")

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

No tempo do Caparandanda


O povo de Quissange era refractário ao serviço de ganho,  velhaco, desconfiado e muito propenso ao roubo. 

Havia nesta região muitos bandos de salteadores que viviam a emboscar e a assaltar os viajantes, no «Bundianoi» e na «Alunga». 

Estes casos eram frequentissimos em todas as epocas. Estes assaltos veem desde antigos tempos, n'elles se tornou celebre o liame de Caparandanda, do quarto para o quinto periodo, filho do soba Culembe. 

Caparandanda, moço de grande robustez física e de genio arrebatado, levava uma vida de ladrão á mão armada, feito chefe de salteadores. Esperava as comitivas na sua passagem por Quissange e aassaltava-as, roubando-as, sendo o seu principal fito as vazilhas de aguardente que levavam. 

De nada serviam as queixas do gentio e dos negociantes ao soba pai, nem as  admoestações d'este. 

Por fim, Caparandanda chegou ao ponto de se tornar um insubordinado e desobediente á autoridade paterna, chegando a  ameaçar de morte o 'proprio pai. 

Culembe, que era um bom soba, muita estimado peloo seu povo e por todo o povo de Catumbella, mandou dizer ao negociante Antonio Pinto dos Santos, dono do talho da Catumbella, e de quem era muito amigo, que em seu nome pedisse ao Governo a prisão de seu filho Caparandanda, afim de põr termo ás suas tropelias, promptificando-se ele, Culembe, a ajudar o Governo na prisão do filho.

O pedido do soba foi immediatamente atendido, organizando-se uma expedição composta por elementos  militares e civis, e que ficou conhecida entre os indigenas por «Guerra do Caparandanda», efectuando-se a sua prisão em Quissaange, e deportando-se. para fora da província o celebre salteador.

Texto de Augusto Bastos, Maio de 1909

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Quando os filhos voam

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora.Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.
Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…
Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…
Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o vôo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…
Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.
Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.
É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós.
É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor.
Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados.
Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino.
Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança.
Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.
Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase.
Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno.

Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível.

Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar.


E não há estrada mais bela do que essa.
Ruben Alves

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ou Inferno Venezuelano, rumo ao socialismo...

O número de venezuelanos que aspira a deixar o país tem aumentado constantemente nos últimos anos, de acordo com um estudo recente da consultoria Datanalisis firme. Nomeadamente, um de cada dez venezuelano, 10% do total, procura informações ou realiza  os tramites necessários para emigrar, segundo noticia o  "Diário das Américas".

Iván de La Vega, o sociólogo e pesquisador do departamento de economia e administração da Universidade Simón Bolívar, explica que, desde a década de 1990, a Venezuela está num processo de desagregação política, económica e social o que obrigou alguns venezuelanos a tomarem a decisão de deixar o seu país.

"Tenho a alma encolhida por ter que me separar de meus filhos. Vivemos em San Antonio de los Altos, e sempre que eles saem para trabalhar às 04:30 fico com um rosário na mão. Não têm vida própria, não podem sair tranquilamente. O receio de que sejam mortos, é constante".

"Mas deixar o país é uma correria cheia de obstáculos e dificuldades devido aos inúmeros procedimentos administrativos que exige que o governo chavista. O Ministério dos negócios estrangeiros pede resmas imensas de papelada, e depois temos ainda que passar peloo registro principal, pelo Ministério do Interior, justiça e paz, educação, faculdade - ou ambos - um nunca acabar de dificuldades".
 
As filas nas portas dos edifícios oficiais são infinitas. Quando Elba Camomila foi entregar os seus documentos  chegou às 08:00 da manhã e tinha o número 274 numa fila que começou a tomar forma às 2 da manhã. 
 
Para receber os documentos, as filas são igualmente intermináveis.
 
A tudo isto, são adicionadas as  dificuldades económicas . Não há na Venezuela aviões, linhas aéreas com destino ao estrangeiro devido ao estrito controle imposto pelo governo de Nicolás Maduro, que proibiu a circulação jurídica de dólares. 
 
Os montantes da dívida do governo Venezuelano ás companhias aéreas é de 3,8 bilhões de dólares e como resultado, etas têm reduzido os seus voos desde Janeiro passado, o que complica a vida a todos os Venezuelanos que querem deixar o país.
 
http://www.libremercado.com/2014-09-02/venezuela-la-nueva-carcel-del-socialismo-1276527144/

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Urge mudar o sistema



Está na hora de mudármos este regime, mudar este sistema, e correr-mos com esta  esquerda  esclerosada da  área do poder retirando a esta gente a ilusão em que se encontram extasiados e entorpecidos.

Eles não estão no pedestal das virtudes políticas, sociais e culturais. Muito pelo contrário, são corruptos, acéfalos e golpistas.

Os socialistas estão perdidos no tempo e no espaço, sem ideário crível, e nem mesmo têm políticas originais, criativas e boas, só ideologia antiga bafienta e perniciosa. Resquicios marxistas.

A direita (se existir) tem que encarar a realidade  de que a gestão socialista já deu provas bastantes de incompetência.Precisa também de partir para a ofensiva dizendo claramente que é a direita, e não a esquerda, que pratica a economia de mercado e que criou o mundo globalizado de hoje.

Para se ter um Estado Social só a direita é que o poderá construir. Pois é ela que possui as aptidões de gestão para dar sustentabilidade a isso. Por fim, é preciso dizer que o socialismo não é solução, nem progresso.O socialismo é passado, obsoleto, sufocante, e sobretudo corrupto, que só sabe governar com o dinheiro dos outros.

Na Europa de hoje não há mais dinheiro para ser "torrado" com quem não produz. A tal “solidariedade com o bolso dos outros” , chegou ao fim. Margaret Thatcher foi cruel ao dizer que o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros, entretanto estava coberta de razões.

Estamos a  ser governados por gente socialista pré-formatads, pré-fabricada, em série, que não tem criatividade, não têm luz própria, seguem os mesmos e carcomidos ideários, que já deram provas de não ser a solução para os problemas actuais da nossa sociedade. Eles são sim o problema.

Não há golpismo á direita, mas sim incompetência e limitações intelectuais á esquerda.

Na França de tanta tradição esquerdista, o Partido Comunista acabou e os ditos socialistas foram reduzidos a uns piedosos 14%.  Assim, quem era comunista ou socialista, passou a ser liberal, capitalista, adoptando o livre mercado e a democracia como forma de organizar a nação.

A cada “crise do capitalismo” os socialistas europeus esperaram em vão ganhar os votos dos eleitores que pagam a conta. Mas, esses tais eleitores em lugar de mais socialismo querem e votam por melhor capitalismo, mais mercado na economia e a preservação da liberdade.

Espanha, Irlanda, Alemanha, e a maioria dos países do Leste Europeu: República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bósnia, Sérvia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Hungria, Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Bulgária, Azerbaijão, Herzegovina, Montenegro, Geórgia, Armênia, Moldávia, Albânia, Cazaquistão, Quirguízia, fortaleceram a vitória conservadora na Europa, abandonando o socialismo.

Aqui em Portugal, a nossa imprensa esconde ou não entende o consistente declínio dos socialistas em todos os países da Comunidade  Europeia e até no próprio Parlamento Europeu. E os meios de comunicação social, os paineleiros das tvs, os politólogos, os óraculos de plantão, obliteraram a realidade do país perdem-se em conversas de escárnio e mal dizer, consoante o seu fanatismo ideológico, sempre de esquerda, sempre  marxista, sempre bota abaixo...é que, quanto pior, melhor...para eles.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Hoje não se fala português... linguareja-se!

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos 'afro-americanos', com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
 
As criadas dos anos 70 passaram a 'empregadas domésticas' e preparam-se agora para receber a menção de 'auxiliares de apoio doméstico'.
 
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os 'contínuos' que passaram todos a 'auxiliares da acção educativa' e agora são 'assistentes operacionais'.
Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por 'delegados de informação médica'.
 
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em 'técnicos de vendas'.
O aborto eufemizou-se em 'interrupção voluntária da gravidez'.
Os gangs étnicos são 'grupos de jovens'.
Os operários fizeram-se de repente 'colaboradores'.
As fábricas, essas, vistas de dentro são 'unidades produtivas' e vistas de exterior são 'centros de decisão nacionais'.
 
O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à 'iliteracia' galopante.
Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes 'Conforto' e 'Turística'.
 
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
 
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um 'comportamento disfuncional hiperactivo'
Do mesmo modo, e para felicidade dos 'encarregados de educação' , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, 'crianças de desenvolvimento instável'.

Ainda há cegos, infelizmente.
 
Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado 'invisual'. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)
 
As p.... passaram a ser 'senhoras de alterne'.
 
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em 'implementações', 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes' e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.
 
Estamos "tramados" com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress.
 
Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.

Por Helena Sacadura Cabral.

Plenários da Assembleia da República tiveram média de 16 "faltosos" por sessão

Em média, 16 dos 230 deputados com assento na Assembleia da República (7%) faltaram a cada uma das reuniões magnas da última sessão legislativa, num total de 1.634 ausências entre 16 de Setembro de 2013 e 25 de Julho.

De acordo com dados da Assembleia da República e tendo em conta os parlamentares actualmente em funções, os partidos mais representados tiveram deputados menos assíduos nesta terceira sessão legislativa - reflexo também da quantidade superior de mandatos. (JN)

O que acontece a um simples empregado que não se apresenta ao serviço? 
O trabalhador que decide não aparecer no horário de expediente? 
Numa primeira fase será administrativamente repreendido, chamado ao gabinete do chefe para ouvir das boas, e, os dias de ausência laboral serão certamente descontados do salário. 
É mais ou menos este o procedimento. 
Nem sequer estou a considerar o despedimento com justa causa ao fim de um número assinalável de faltas. 
É assim que funciona o mercado laboral,o conceito de emprego e assiduidade no trabalho. 

E o que sucede na Assembleia da República? 
Existe um conjunto de justificações que pode servir os deputados. 
Esta é especialmente simpática: (...) "O n.º 4 do mesmo artigo estipula que, “em casos excepcionais, as dificuldades de transporte podem ser consideradas como justificação de faltas”.  

Segundo as contas do "centro de emprego do parlamento", o deputado João Soares é o mais faltoso de todos. 
Mas deixemos em paz o filho do pai da democracia em Portugal. 
Ele não é melhor nem pior que os outros colegas. 
No meu entender a solução é simples. 
Não aparece, não recebe. 
Ponto final. 

Não sei por que razão os deputados devem merecer tratamento discriminatório positivo - apresentam um atestado assinado pelo encarregue de educação política e fica tudo resolvido? 
É isso? 
Não. 

Se não contribuem para a produção legislativa e não estão presentes na Assembleia da República, acho que devem explicar muito bem a "missão parlamentar" e o "trabalho político" levados a cabo fora de portas. 

Porque como em tudo na vida há bons e maus. 
Tidos e achados. 
Perdidos. 
Pagos por cada um de nós.

John Wolf, no Estado Sentido

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Não matem o Português!

 1. Hífens

Todos, todos os dias passamos pelo Facebook e vemos um monte de palavras nas quais tu colocas-te um hífen onde não o havia… Já agora, não reparaste em nenhum erro na frase anterior? Então foste mesmo tu, seu/sua delinquente!
Por favor, não confundam ‘passas-te’ com ‘passaste’, ‘colocas-te’ com ‘colocaste’ e muito menos ‘passamos’ com ‘passa-mos’.
‘Colocaste’ está no Pretérito Perfeito e o equivalente na 1° pessoa é ‘coloquei”. ‘Colocas-te’ está no Presente do Indicativo e o equivalente na 1° pessoa será ‘coloco-me’. Já de ‘passamos’ para ‘passa-mos’, altera-se o modo, o tempo, e até a pessoa!
Este é o erro mais comum na net, o mais absurdo, o mais horrível, e o que mais vontade dá de pontapear o ecrã do computador. As vossas frases perdem completamente o sentido!
Tirar hífens de onde deviam estar, fazendo o processo oposto, é um atentado igualmente grande.
2. Há / à / á
Não aqui nada que enganar (ou, pelo menos, não era suposto haver). O primeiro é uma conjugação do verbo haver, o segundo é uma contracção e o terceiro é estúpido.
Quando dizemos “Já vi esse filme uma semana”, estamos a dizer que já passou uma semana desde que vimos o filme, utilizando o verbo haver para o efeito. Dizer “à uma semana” é completamente ridículo, pois o à é simplesmente uma contracção da preposição a com o artigo definido/pronome demonstrativo feminino a, e usa-se apenas em frases como “amanhã vou à praia”. A terceira opção, o á, é apenas estupidez porque nem sequer existe como palavra.
Entendido? “Não vou há praia à uma semana” está, portanto, completamente errado.
3. Ç
Por vezes, vemos gente a escrever frases inspiradoras no Facebook, ou mesmo a partilhar imagens com frases que já têm centenas de partilhas, e aparece, lá no meio, uma “palavra” bela: “Voçê”. É um dos grandes problemas do nosso povo, apesar de todos terem sido ensinados em condições no primeiro ou segundo ano de escolaridade.
A regra é a seguinte: um C lê-se sempre como um Q, excepto quando se encontra antes de um e ou de um i, casos em que se lê como um S. Ou seja, sempre que vem antes de um e ou de um i, nunca leva cedilha! NUNCA. Portanto, chega de “voçês”, chega de “apareçe” e de coisas semelhantes.
4. Assério
Algumas pessoas decidiram pegar na expressão “a sério” e fundir as duas palavras, formando a magnífica palavra “assério”, ou mesmo, em casos mais extremos, “acério” ou “asério”, que nem sequer se lê da mesma maneira (estamos a contar o tempo até começarem a escrever “açério”). Aparece várias vezes nas redes sociais e não fazemos ideia de onde foram desencantar isto. Fomos verificar e, no teclado do computador, a letra S nem sequer está próxima da barra de espaços, pelo que não pode ser um erro de tipografia. Por favor parem com isso. De cada vez que o fazem, morre um panda na China. Assério.
5. Concerteza
Mais duas palavras unidas, mais um panda morto. Pouco há para dizer também acerca desta palavra, mas com certeza que está errada. A expressão correcta é como acabámos de a escrever, com duas palavras separadas, pelo que “concerteza” é apenas obra do diabo.
6. Já mais
Só para que não digamos que só andam aí a fundir palavras à toa, o povo presenteia-nos com esta relíquia, que é precisamente o oposto. Decidiram, então, pegar na palavra ‘jamais’ e separá-la em duas, que por acaso existem mas não cabem onde as tentam meter. Aprendam: quando querem dizer que nunca, nunca irão fazer determinada coisa, escrevam “jamais”, tudo junto. “Já mais” só pode ser utilizado em frases como… bom, em frase nenhuma que esteja em condições.

7. Vez/vês
A confusão entre estas duas palavras também é ligeiramente carcinogénica. “Também vez a Guerra dos Tronos?” e “Só vi uma vês” são duas frases que, portanto, não têm jeito absolutamente nenhum. ‘Vês’ é uma conjugação do verbo ver e ‘vez’ é o singular de ‘vezes’. Não são a mesma coisa, nem de longe nem de perto.
8. Não tem nada haver
O verbo haver é, como já vimos, causa de muita confusão na cabeça de quem não é muito bom nesta coisa da escrita. “Não tens nada haver com isso!”, dizem eles, mas nós temos que intervir, para impedir um severo apocalipse linguístico. Gente: escreve-se “não tens nada a ver com isso!”, e não como foi escrito anteriormente. E sim, nós, enquanto cidadãos preocupados com a saúde de quem lê aquilo que escrevem, temos muito “haver” com isso.
9. Poder/puder
Aparentemente, existe por aí uma enorme dificuldade em entender a diferença entre estas duas palavras mas o Cultura X, como vosso amigo que é, vai explicar: puder lê-se “pudér” e poder lê-se “podêr”. Isto, sozinho, já deve ser suficientemente explicativo mas, como mais vale prevenir do que remediar, explicamos ainda mais: deve-se usar o ‘puder’ apenas no modo condicional (ex.: “se eu puder ir”), sendo ‘poder’ a palavra adequada em todas as outras situações, incluindo “não devo poder ir”.
10. Vírgulas
Não, desta vez a palavra não está mal escrita. Queremos só dar um pequeno reparo nas vírgulas horrivelmente colocadas. Nunca, nunca, “já mais” se separa o sujeito do predicado de uma frase com uma vírgula (ex.: a minha mãe, foi ao supermercado) e também não se colocam os atributos das palavras entre vírgulas (ex.: a sua, belíssima, mulher). Pode ser?

Agora resta-nos esperar que isto resulte! Façamos com que acabe o terror do português que parece um dialecto da Papua Nova Guiné. Contamos com a tua ajuda para mostrar isto ao nosso povo!

Fonte: Cultura X