terça-feira, 5 de agosto de 2014

Não matem o Português!

 1. Hífens

Todos, todos os dias passamos pelo Facebook e vemos um monte de palavras nas quais tu colocas-te um hífen onde não o havia… Já agora, não reparaste em nenhum erro na frase anterior? Então foste mesmo tu, seu/sua delinquente!
Por favor, não confundam ‘passas-te’ com ‘passaste’, ‘colocas-te’ com ‘colocaste’ e muito menos ‘passamos’ com ‘passa-mos’.
‘Colocaste’ está no Pretérito Perfeito e o equivalente na 1° pessoa é ‘coloquei”. ‘Colocas-te’ está no Presente do Indicativo e o equivalente na 1° pessoa será ‘coloco-me’. Já de ‘passamos’ para ‘passa-mos’, altera-se o modo, o tempo, e até a pessoa!
Este é o erro mais comum na net, o mais absurdo, o mais horrível, e o que mais vontade dá de pontapear o ecrã do computador. As vossas frases perdem completamente o sentido!
Tirar hífens de onde deviam estar, fazendo o processo oposto, é um atentado igualmente grande.
2. Há / à / á
Não aqui nada que enganar (ou, pelo menos, não era suposto haver). O primeiro é uma conjugação do verbo haver, o segundo é uma contracção e o terceiro é estúpido.
Quando dizemos “Já vi esse filme uma semana”, estamos a dizer que já passou uma semana desde que vimos o filme, utilizando o verbo haver para o efeito. Dizer “à uma semana” é completamente ridículo, pois o à é simplesmente uma contracção da preposição a com o artigo definido/pronome demonstrativo feminino a, e usa-se apenas em frases como “amanhã vou à praia”. A terceira opção, o á, é apenas estupidez porque nem sequer existe como palavra.
Entendido? “Não vou há praia à uma semana” está, portanto, completamente errado.
3. Ç
Por vezes, vemos gente a escrever frases inspiradoras no Facebook, ou mesmo a partilhar imagens com frases que já têm centenas de partilhas, e aparece, lá no meio, uma “palavra” bela: “Voçê”. É um dos grandes problemas do nosso povo, apesar de todos terem sido ensinados em condições no primeiro ou segundo ano de escolaridade.
A regra é a seguinte: um C lê-se sempre como um Q, excepto quando se encontra antes de um e ou de um i, casos em que se lê como um S. Ou seja, sempre que vem antes de um e ou de um i, nunca leva cedilha! NUNCA. Portanto, chega de “voçês”, chega de “apareçe” e de coisas semelhantes.
4. Assério
Algumas pessoas decidiram pegar na expressão “a sério” e fundir as duas palavras, formando a magnífica palavra “assério”, ou mesmo, em casos mais extremos, “acério” ou “asério”, que nem sequer se lê da mesma maneira (estamos a contar o tempo até começarem a escrever “açério”). Aparece várias vezes nas redes sociais e não fazemos ideia de onde foram desencantar isto. Fomos verificar e, no teclado do computador, a letra S nem sequer está próxima da barra de espaços, pelo que não pode ser um erro de tipografia. Por favor parem com isso. De cada vez que o fazem, morre um panda na China. Assério.
5. Concerteza
Mais duas palavras unidas, mais um panda morto. Pouco há para dizer também acerca desta palavra, mas com certeza que está errada. A expressão correcta é como acabámos de a escrever, com duas palavras separadas, pelo que “concerteza” é apenas obra do diabo.
6. Já mais
Só para que não digamos que só andam aí a fundir palavras à toa, o povo presenteia-nos com esta relíquia, que é precisamente o oposto. Decidiram, então, pegar na palavra ‘jamais’ e separá-la em duas, que por acaso existem mas não cabem onde as tentam meter. Aprendam: quando querem dizer que nunca, nunca irão fazer determinada coisa, escrevam “jamais”, tudo junto. “Já mais” só pode ser utilizado em frases como… bom, em frase nenhuma que esteja em condições.

7. Vez/vês
A confusão entre estas duas palavras também é ligeiramente carcinogénica. “Também vez a Guerra dos Tronos?” e “Só vi uma vês” são duas frases que, portanto, não têm jeito absolutamente nenhum. ‘Vês’ é uma conjugação do verbo ver e ‘vez’ é o singular de ‘vezes’. Não são a mesma coisa, nem de longe nem de perto.
8. Não tem nada haver
O verbo haver é, como já vimos, causa de muita confusão na cabeça de quem não é muito bom nesta coisa da escrita. “Não tens nada haver com isso!”, dizem eles, mas nós temos que intervir, para impedir um severo apocalipse linguístico. Gente: escreve-se “não tens nada a ver com isso!”, e não como foi escrito anteriormente. E sim, nós, enquanto cidadãos preocupados com a saúde de quem lê aquilo que escrevem, temos muito “haver” com isso.
9. Poder/puder
Aparentemente, existe por aí uma enorme dificuldade em entender a diferença entre estas duas palavras mas o Cultura X, como vosso amigo que é, vai explicar: puder lê-se “pudér” e poder lê-se “podêr”. Isto, sozinho, já deve ser suficientemente explicativo mas, como mais vale prevenir do que remediar, explicamos ainda mais: deve-se usar o ‘puder’ apenas no modo condicional (ex.: “se eu puder ir”), sendo ‘poder’ a palavra adequada em todas as outras situações, incluindo “não devo poder ir”.
10. Vírgulas
Não, desta vez a palavra não está mal escrita. Queremos só dar um pequeno reparo nas vírgulas horrivelmente colocadas. Nunca, nunca, “já mais” se separa o sujeito do predicado de uma frase com uma vírgula (ex.: a minha mãe, foi ao supermercado) e também não se colocam os atributos das palavras entre vírgulas (ex.: a sua, belíssima, mulher). Pode ser?

Agora resta-nos esperar que isto resulte! Façamos com que acabe o terror do português que parece um dialecto da Papua Nova Guiné. Contamos com a tua ajuda para mostrar isto ao nosso povo!

Fonte: Cultura X

59 comentários:

Juliana Maria disse...

Falta o trás e traz! :)

António Almeida disse...

É tudo muito giro e tal e coiso, mas com a embalagem de retirar ou colocar hífen em determinadas palavras, não é que o(a) autor(a) também lambeu o hífen de "Papua-Nova Guiné"!? :P
Ah, já esquecia, Papua-Nova Guiné tem 850 idiomas, ou línguas se for mais bonito, não são dialectos.

Delfim Peixoto disse...

Visita rápida, mas interessada. Correcto! Abraço.

Miguel Fialho disse...

Bem haja pela prelecção. Seria muito louvável que os meios de comunicação divulgassem mais o bem escrever, a começar pela televisão e que não se cingissem a perguntas parvas num qualquer terminal rodoviário a entrevistados cansados e desdentados.

SF disse...

Falando de bom português , devo dizer que não é "colocas.te um hífen ", mas sim " colocaste um hífen "

soprosdeovil disse...

E quando dizem " à séria " e como há bocadinho mesmo ouvi de um comentador,repórter ou lá o que seja, nos Jogos Olímpicos " (...)e agora é entregues as medalhas..."(...)?

Luis Rainha disse...

E quantos erros em este texto? Ó céus...

josépacheco disse...

Tudo isso é verdade e mau. Mas já agora evitava-se também o horrendo «é suposto», que não sendo propriamente um erro é feio e desnecessário (o aportuguesamento muito à moda do "it's supposed to»). Uuuuui, um calafrio!

Gincal disse...

Esqueceram-se do "geito". Como esse me irrita..!

Nikonian disse...

Faltou o vêm e vêem...

TI disse...

De ha muito que o meu merdoso winphone nao tem uma porra dum teclado capaz, para quem como eu odeia, atentados à lingua que até hoje ainda me permite dizer:
- Hidromicrovacuomagnetovibroscilador anexado a um treclambequedorelhas !

Luís Freire - Mané disse...

Um reparo: "Não tem nada a haver" (relação)

Maria disse...

No caso do hífen, a regra mais simples é conjugar na negativa. Por exemplo: "Nós passamos por Lisboa" na negativa fica "Nós não passamos por Lisboa". Outro exemplo: "Esses sapatos são meus. Passa-mos por favor." Na negativa ficaria: "Não mos passes". Ou seja, se na negativa o "mos" fica antes do verbo então na afirmativa deve ter hífen.

Berta Neto disse...

Só um pequeno reparo: escreveu no início do seu texto "colocas-te um hífen" em vez de "colocaste um hífen".
Aproveite e adicione este erro à sua lista: Não conseguir escrever corretamente a segunda pessoa do singular de verbos regulares no pretérito.

Manuela Taxa disse...

Gostei da lição, embora eu não cometa estes erros estou cansada de os ver escritos por gente que se considera douta. É sempre bom lembrar o que é suposto ter-se aprendido na instrução primária. De forma geral o povo português lê pouco e a leitura para além de ajudar muito a enriquecer o nosso vocabulário também ajuda na construção de frases e na conjugação correta dos verbos. E já agora vejam como as pessoas pronunciam quando conjugam o conjuntivo! É uma dica para explorar. Obrigada.

Deragnu disse...

Não tem 'a haver' com isso.
Ou seja entre o activo e o passivo de uma conta corrente, existe um saldo, mesmo que nulo. Um nosso fornecedor tem a haver de nós próprios, dele cliente, uma determinada quantia que a contabilidade informa, nós devemos-lhe; vivemos entre o DEVE e o HAVER...!
Estar a ver é outra coisa, olhar ou reparar pode chegar!...

Tucha Santos disse...

Tem a certeza que leu com atenção o parágrafo até ao fim?

Crispix disse...

Embora tenha razão no que escreveu faltou um pouquinho de educação na forma como escreveu... (desculpe mas não tem que ofender ninguém para ajudar as pessoas a escrever melhor)

Ana Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
NINA disse...

Bem haja por ter. Aja sempre assim. Obrigada. Não obrigado...Já agora!

butbidi disse...

ahahahah, o SF não percebeu a piada ou a ironia do texto!

Ferreira disse...

É óbvio que quem comete esses erros de palmatória nunca vai ler este texto. Não vai ler, não quer saber e está a marimbar-se completamente para o assunto. Guerra perdida, acho eu!
Finalmente, uma pequena nota só para referir que, embora não existindo a palavra "á", existe esta grafia no tempo futuro dos verbos reflexivos.
Cumprimentos

JORGE DO CARMO disse...


Pois ainda falta focar o problema do "ainda ádes ver um dia". Pura estupidez, já que isso nem se pode escrever...não existe.

O correcto será " ainda HÁS DE VER UM DIA ", COM A forma do verbo HAVER !!!

Heinz disse...

Faltou ler a frase seguinte, "Já agora, não reparaste em nenhum erro na frase anterior?"

O erro foi propositado.

Rui disse...

Não me diga que não leu a frase a seguir a essa...

Rui disse...

Ó céus digo eu. Então não percebeu a ironia na escrita propositada dos erros? Há ler, escrever e interpretar...

Alemal Aneleh disse...

"Todos, todos os dias passamos pelo Facebook e vemos um monte de palavras nas quais tu colocas-te um hífen onde não o havia… Já agora, não reparaste em nenhum erro na frase anterior? Então foste mesmo tu, seu/sua delinquente!".
Precisamente por haver um erro é que é feita a pergunta "Já agora,não reparaste em nenhum erro na frase anterior?". É preciso ler com atenção!

Dizemporai disse...

E eles a dizerem OBRIGADA... " tá tudo afeminado"

Isabel Vasco disse...

Só um pequeno reparo... num português correcto, deverá escrever-se "não tem nada que ver" e não "não tem nada a ver". Por vezes o português falado difere do escrito.

Isabel Vasco disse...

Só um ligeiro reparo... num português correcto deverá escrever-se "não tem nada que ver" em vez de "não tem nada a ver". O português falado por vezes difere do português escrito.

isabel disse...

Leia a frase seguinte...

nandes disse...

Desculpe mas não é verdade que a expressão "já mais" em frase nenhuma esteja em condições. "O Pedro, já mais calmo, resolveu aceitar a punição."

Daniel Vieira disse...

E ler a frase a seguir a essa? Talvez entenda por que surge esse erro, propositado (não com um ponto, mas com um hífen)!

Daniel Vieira disse...

Talvez se ler a frase seguinte entenda por que está lá esse erro!

Clikes disse...

Nunca separe os "mos" nem nunca junte os "nos"...

Tiago Fonseca disse...

O artigo foi escrito antes do novo Desacordo Ortográfico ser obrigatório.

Unknown disse...

Nas legendas dos filmes, nem reparei se são produzidas pela mesma empresa/tradutor, o "Cozer" e o "Coser"!
Ou nos contratos online, na selecção do campo "Fracção", o Dto Trz/ Esq Trz em oposição ao Dto Frt/Esq Frt

Cristina M. disse...

E depois diz...."Já agora, não reparaste em nenhum erro na frase anterior?".

João Coelho disse...

Eu não tenho nada a haver com isso. É assim que se diz. Ou seja, eu não tenho nada a ganhar (a haver) com essa situação

Fá menor disse...

Já agora... hífenes e não "hífens".

Cátia Feiteiro Lopes disse...

E depois de ler os comentários, podemos adicionar à lista quem não sabe interpretar um texto e não percebeu que o erro de ortografia no início foi propositado. A propósito, excelente serviço público! :-)

Bah disse...

Leia lá o texto outra vez, mas agora com atenção!

funny disse...

Em português o MOS nunca se separa

António M. disse...

Também falta o irritante "melhor", em vez de "mais bem". É que a geração atual não é a "melhor preparada" de sempre, mas sim a "mais bem preparada" de sempre. É a constante confusão entre os superlativos de "bem" e de "bom".

MeMyself&I disse...

Aos comentadores de bancada que estão a corrigir o erro "colocas-te" em detrimento de "colacaste", adicionei este "erro" à vossa lista:
- não saber ler as publicações por inteiro, originando comentários ridículos e desprovidos de sentido.

Unknown disse...

Não me parece que a última seja verdadeira. Pois no caso o adjectivo não funciona como atributo e sim como aposto.

Veja-se esta explicação:

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/aposto-em-a-rapariga-entusiasmada-sorriu/22965



Hernani Fainha disse...

É de lamentar como os nossos Políticos continuam a ignorar a nossa Língua-Mãe , ao mesmo tempo que apregoam o dia e a Língua de Camões !!! hipócritas !!! já é tempo de acabarem com esta palhaçada, se estão a Governar um País que se chama Portugal, devem respeitá-lo na sua plenitude, a começar pela Língua; falada escrita e interpretada. Vamos retroceder no tempo e voltar-mos ao nosso Português, acabar com os corruptos que a troco de algo, ??? conseguiram dar a volta a alguns políticos que os deixou destruir o nosso Português afim de rechear os seus bolsos. Ou esta palhaçada acaba ou vamos perder o símbolo da nossa Pátria, dentro de 3 a 5 anos, já ninguém sabe escrever, é uma mistura, cada um à sua vontade... a não ser, que haja o mais depressa possível, uma intervenção positiva, por parte do actual Governo e do Presidente da República , para que o Português de Portugal não acabe; nunca; jamais em tempo algum, uma Nação possa existir sem o seu idioma . Quanto ao actual Ministro da Educação... esqueçam só ter canudo não serve, ainda está na idade de andar à casa dos PoKemon !!! e não para estar à frente de um Ministério! Alterar só para mostrarem que fizeram alguma coisa, não ! senão andamos de 4 em 4 anos a mudar a política da Educação !!!

jaime. crespo disse...

Para quem tem interesse neste assunto há três livros (há mais, estes são apenas os que li e gostei) bastante elucidativos e muito bem escritos sobre esta coisa de falar e escrever bem português:
http://www.fnac.pt/Dicionario-de-Erros-Frequentes-da-Lingua-Manuel-Monteiro/a889907
http://www.fnac.pt/500-Erros-Mais-Comuns-da-Lingua-Portuguesa-Sandra-Duarte-Tavares/a907481
http://www.fnac.pt/Grandes-Duvidas-da-Lingua-Portuguesa-Elsa-Santos/a357739
E divirtam-se porque a leitura é divertida.

Unknown disse...

Falta também o derrepente....
Já agora: «puder» é futuro do modo conjuntivo, não é condicional

José Miguel Figueiredo disse...

Realmente!!! Não conseguem perceber que é IRONIA? Que os erros que há no texto são propositados?!! Isto irrita!!!!! Aproveitem a reflexão em vez de a criticar!! Haja HUMILDADE.

José Miguel Figueiredo disse...

Oh Berta!!! Realmente!!! Preste lá atenção ao que leu... Perdia mais dois minutos a ler e poupava-os depois a escrever a crítica!!!!

Unknown disse...

Falta o fui e o foi que também são trocados frequentemente.

Rosa Pires disse...

No segundo ponto, Há/à/á, quando diz que a terceira opçao nao existe, permita-me discordar... Utiliza-se na frase (por exemplo): Vou dar uma flor á minha Mae.

José Alfredo Jacinto disse...

Muito bem... Mesmo quem pretensamente quer corrigir o
s outros, deve ter a humildade de estar sempre a aprender...

Eu disse...

Será que o MOS nunca se separa? "Os ovos estão em cima da mesa, passa-MOS p.f."...
Não está correcto? (correCto, porque aprendi a escrever nos anos 70 :-) )

Eu disse...

Será que o MOS nunca se separa? "Os ovos estão em cima da mesa, passa-MOS p.f."...
Não está correcto? (correCto, porque aprendi a escrever nos anos 70 :-) )

sandra disse...

Faltou o "há-des" que ainda não percebi onde nasceu! Terceira pessoa singual: tu hás-de...

nuno pereira disse...

Gostaria de referir que "se eu puder" é o Futuro do Conjuntivo e não o Condicional. E o "mos" separa-se sim, o exemplo dado é um caso disso, por contração dos pronomes pessoais "me" e "os", caso contrário ficaria "passa-me-os", no imperativo.

Dina Emanuel disse...

Não está correcto: "Não ter a ver com" não significa "não ter nada a ganhar", significa antes "não ter qualquer relação". Está correcto dizer/escrever: "não ter nada a ver" ou "não ter nada que ver". Basta consultar um prontuário de Língua Portuguesa para confirmar.